Hydropsalis é um gênero de aves da família Caprimulgidae da ordem Caprimulgiformes.
Todos os representantes deste gênero são quase que exclusivamente noturnos. Possuem dieta insetívora e caçam no crepúsculo e em noites de lua cheia. Segundo Sick, utilizam apenas a visão para detecção das presas, pois ao contrário de corujas e morcegos, não possuem sensores auditivos. Os bacuraus possuem plumagem críptica, e muitas vezes a identificação das espécies se torna difícil. O macho apresenta manchas brancas nas asas e retrizes, sinais importantes para uma ave noturna durante as exibições nupciais. Nidificam diretamente no solo. Os ovos são postos em uma concavidade com ou sem nenhuma forração.
Câmara Cascudo registra o uso do bacurau como amuleto. Pena de asa de bacurau cura dor de dente e algumas outras, dispostas entre a manta e sela, fazem com que o cavalo não caia nem que salte rio cheio. O autor cita também o nome popular de mede-léguas, porque a ave passa a noite pelos caminhos, olhos acesos, contando as léguas numa medição gratuita e sem fim. Parece ter havido ainda uma lenda desaparecida da qual resta um provérbio: “é dizendo e bacurau escrevendo”, para indicar a veracidade indiscutível de uma afirmativa.
O bacurau-de-cauda-barrada mede cerca de 19 cm de comprimento. Bem escura, sem pintas brancas nas asas, na calda uma faixa branca atravessa pelo meio.
Localmente comum às margens de rios e lagos, bem como em poças em áreas abertas. Vive em grupos de 30 ou mais indivíduos.
Da Amazônia ao Piauí, estendendo-se em direção sul até o Mato Grosso (alto Rio Xingu). Encontrado também na Guiana, Guiana Francesa, Venezuela, Peru e Colômbia.
O bacurau-do-são-francisco mede 19 cm de comprimento. Foi descrito apenas em 1994.
É crepuscular e provavelmente noturno, tendo sido observando se alimentando bem acima do rio em bandos de até 20 aves ao entardecer.
Endêmico do Brasil, atualmente se tem conhecimento de sua ocorrência em apenas duas localidades ao longo do Rio São Francisco nos estados da Bahia e Minas Gerais. É provavelmente mais amplamente distribuído ao longo do rio São Francisco e afluentes adjacentes (dos quais existem poucos na zona da caatinga). Não há informações sobre sua população, mas, pelo menos em Minas Gerais, parece não ser incomum.
O bacurau-de-lajeado mede 18 cm de comprimento. Espécie pequena e de plumagem muito escura, amarronzada, com mancha branca lateral, na garganta e, ponta da cauda branca. As fêmeas são totalmente escuras.
É encontrado nos carrascais sobre lajedos rochosos com frequência à beira-d'água, em rios encachoeirados e em bordas de matas ripáreas ribeirinhas. Seus hábitos são similares aos de seus congêneres.
Ocorre das Guianas e Venezuela à Bolívia, além de todos os estados amazônicos brasileiros.
O bacurau mede cerca de 30 cm de comprimento. O macho apresenta uma larga faixa nas asas (observada em vôo) e os lados da cauda brancos e a fêmea possui uma estreita faixa amarelada nas asas e somente a ponta da cauda branca.
Comum em bordas de florestas, capoeiras abertas, campos com árvores isoladas, cerrados, capões de mata podendo também ser encontrado em matas secundárias e em processo de reflorestamento. Vive no chão. Só é visto durante o dia somente se espantado. Nestas ocasiões, voa curtas distâncias e logo volta a sumir em meio à vegetação rasteira, procurando se camuflar em meio as folhagens no substrato.
Ocorre em todo o Brasil, onde há florestas ou capoeiras, e também dos Estados Unidos e México até a Bolívia, Paraguai e Argentina.
O curiango-do-banhado mede 20 cm de comprimento. Espécie pequena, porém robusta, macho com asas curtas, de forma singular. Rêmiges (penas de vôo) primárias recurvadas como sabres, de pontas brancas, que devem servir para a produção de um ruído forte durante o vôo de exibição. Pescoço anterior tipicamente estriado e salpicado de branco-amarelado. Retrizes (penas da cauda) externas de pontas esbranquiçadas. Fêmea de asa “normal”, sem branco. O macho tem asa peculiar, rêmiges primárias recurvadas, com ponta branca; a fêmea possui asa normal, sem branco. A cauda muito curta.
Habita os campos naturais com gramíneas de aproximadamente 30 centímetros de altura e bordas de banhados.
Ocorre do Sudeste brasileiro ao Rio Grande do Sul e região de Brasília
O bacurau-de-rabo-branco mede cerca de 20 cm de comprimento. É um bacurau marrom-claro com faixa branca nas asas e abdomen e retrizes laterais brancos.
No Brasil, ocorre no Cerrado, principalmente no subsistema de campo limpo abundante em cupinzeiros. Está ameaçado de extinção, apesar das populações conhecidas estarem relativamente bem protegidas. As principais ameaças são as queimadas e a conversão do cerrado em plantações de eucalipto, pastagem, soja e outras culturas.
Atualmente sabe-se da ocorrência da espécie em quatro localidades: Parque Nacional das Emas (sudoeste de Goiás); Reserva Mbaracay (Paraguai); Laguna Blanca (Paraguai) e Estação Biológica de Beni (Bolivia). Existem registros históricos nos estados de Mato Grosso e São Paulo.
O bacurau-de-cauda-branca mede 22,5 cm de comprimento. O macho apresenta garganta e ventre brancos e a cauda branca com uma faixa medial negra muito distinta em campo. A fêmea difere pela cauda e garganta mais escuras.
É encontrado em campinaranas, lavrados e nos campos de Boa Vista (Roraima). Frequenta pastos e campos de pouso de aeronaves em fazendas.
Comum em Roraima e no Amapá e na área do Amazonas que liga entre esses dois estados. Também ocorre nas Guianas, Venezuela, Colômbia e Equador.
O bacurauzinho-da-caatinga Mede cerca de 16 cm de comprimento. Além do padrão de cores comum da família, ambos os sexos possuem uma mancha branca na asa e o macho possui a ponta das duas últimas retrizes de cor branca. Difere de outros Caprimulgus sintópicos pelo seu pequeno porte, lembrando o bacurauzinho.
Vive nas matas secas e nas caatingas arbóreas com enclaves rochosos. Repousa em areais no Nordeste ou em lajedos negros, no Espírito Santo. É facilmente reconhecido pelo seu pequeno porte e por ser um dos poucos que voa um pouco antes do pôr-do-sol, em movimentos errantes, subindo e descendo, e muitas vezes, voando em círculos. Logo ao entardecer ou alvorecer pode-se observar apenas um ou dois indivíduos, mas logo em seguida, outras aves vão chegando até formarem um grupo esvoaçante. Durante o dia, estas aves dormem em pequenas moitas nas áreas abertas.
Endêmico das caatingas dos estados do Nordeste e norte do Espírito Santo.
O bacurau-da-telha mede 23 cm de comprimento. Possui coloração escura, com larga faixa branca nas primárias, e manchas brancas nas retrizes externas e na orla da asa. O macho difere de outros Caprimulgus por essa larga faixa nas primárias, garganta branca e cauda com padrões característicos em branco, preto e ocre.
Vive em áreas semi-abertas, campos de altitude, campos rupestres, chapadas, enclaves rochosos e em algumas cidades. Apresenta hábitos crepusculares e noturnos. Durante o dia, dormem em grupos sobre os telhados em certas cidades no Sudeste e Sul, o que lhe rendeu esse nome popular.
Ocorre nos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
O bacurau-de-rabo-maculado mede 19 cm de comprimento. Ambos os sexos apresentam um colar ruivo atrás da nuca, lembrando um bacurau-tesoura, mas possuem a cauda curta e quadrada. O macho apresenta garganta e a cauda branca com uma faixa terminal, além de pintas mediais brancas, muito distintas em voo.
Ocorre em buritizais, matas de galeria, campos, varjões e áreas úmidas abertas.
É um bacurau de distribuição fragmentada na América do Sul, ocorre do México à Bolívia, incluindo todo o Brasil. Ocorre nos estados do Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Tocantins.
O bacurau-de-lajeado mede 18 cm de comprimento. Espécie pequena e de plumagem muito escura, amarronzada, com mancha branca lateral, na garganta e, ponta da cauda branca. As fêmeas são totalmente escuras.
É encontrado nos carrascais sobre lajedos rochosos com frequência à beira-d'água, em rios encachoeirados e em bordas de matas ripáreas ribeirinhas. Seus hábitos são similares aos de seus congêneres.
Ocorre nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
O bacurau-chintã mede cerca de 20 cm de comprimento. O macho apresenta a garganta, uma larga faixa nas asas e a ponta da cauda (vista de baixo) brancas e a fêmea possui a garganta amarelada e não tem branco nas asas e na cauda.
Comum em campos com árvores e arbustos. É noturno e vive no chão, descansando durante o dia sob arbustos. Pousa sobre troncos para cantar.
Presente em todo o Brasil, e também da Venezuela à Bolívia e Argentina. Migratório, aparece em quantidade em algumas regiões, em determinadas épocas do ano, como no Estado de Minas Gerais(outubro).
O bacurau-dos-tepuis mede 21 cm de comprimento. Sua plumagem é ainda mais escura que a do bacurau-de-lajeado. A espécie é pouco estudada.
Noturno, sobrevoa as matas serranas, entre 1280 a 1800m de altitude.
No Brasil, foi registrado em Roraima, na fronteira com a Venezuela, no Cerro Urutani e no Monte Roraima. Também ocorre em pequenas áreas do país citado e pequena área da Colômbia.